domingo, 14 de fevereiro de 2010

Ave depenada



Lutei pelo nosso sol
E agora, assim tão longe
E tão coberta de nuvens
Nada mais do anzol
Serve ás tuas penugens
Grandes de falcão...
e sinto-o cair,
Em ferrugens
De quem não tem razão
E tão pouco foi falir
A pensar na solidão

Costumava brincar
Com os perigos
De quem não sabe andar
Mas hoje os amigos
Têm mais que fazer
E não me posso atrasar!

E não sei mais ler
Nem escrever...
Quanto mais conselhos,
Que vinham do instinto
Ao sabor de conceitos,
Ao sabor dos vermelhos
Olhos que não minto
Ao descrever preconceitos
No mais puro exemplo
De paz no recinto
Em que os feitos
Não valem templos
Do passo extinto
Que ainda voa
No teu pensamento!

8/2/10

Cordas inquietas

Não é mais curiosa
A ideia da corda,
Qual quebrou?
Quando? Porquê nessa nota?
Inconstância transborda
No silêncio que sou
Mas já se nota
Que muito se recorda
E algo notável notou
Que alguém acorda
Quando já sou eu,
Que não estou...

Batida demente


Detesto a procura
Mas procuro sem brilhar
E troco o passo
De toda a cura
Que me fiz pensar
De todo o espaço
E toda a loucura
Que não quis pisar!

Até a batida,
É solta e demente,
Leve, agressiva,
Nervosa e desenxabida
Num dormente
Surto de fumo
Onde na paz invadida,
Se perde o pé ausente
E algum rumo...

Nem as palmas
Nem a euforia
Me faz ver,
Se tens alma sequer
Só um pouco de alegria
Do cansaço
De quem não sabe o que quer...
Aceito um voo escasso
Porque talvez mais,
Ou nada
daquilo que aparece
Alguns ventos digitais
Mas sou eu quem nada
Ou tento...
E ás vezes são demais
Quem vai desatento
Aos meus ideais
Quem vai ao relento
Dos perigos reais...

E enche de prazer
Toda a minha asa
De viver e fazer
Soldar letras e frases
E tudo o que encolher
É melhor casa
Que estas fases
Que vim escolher
Apesar da sua graça
São frutos ácidos
Que não quero colher
E debaixo da ácida couraça
São os pedidos
Que temo saber...

21/1/10

Voz calculada

Chego junto da varanda
Ouço algo
O bater do coração?
Algo que manda...
Permanece
Com tom de fidalgo
Tum-tum, Tum-tum, tum-tum...
Calcula e esquece
Que somos parte de um
Barco do mesmo nó
E voz de um só...
17/1/10

Bailarina da vida

E os seus olhos de bailarina
Tornam a encher e seduzir
Aos poucos...
Todo o pátio que se inclina
Sobre um sapato a partir
De olhares roucos...
Então, todo um baile
Se devolve
Todo um xaile
Cai ao chão
Todo o encanto,
Se descobre
Todo o salão
Em cada canto
Deixa de ser lata e cobre,
Deixa de ser chão e madeira
Para ser razão,
Ouro e brincadeira...
17/1/10

São outros andamentos...



Falas, corres,

Lutas e chamas...

Aquilo que danças,

Aquilo que alcanças.

Brincas com as chamas

E não te cansas.

Não sabes o que amas,

sabes que vives sem querer correr

E corres por viver!

Permaneces, nessas andanças...


12/1/10

Oito!

O mesmo jogo
O mesmo tempo
Muda o espírito
Sem retorno
Apenas num novo enrugado
Sopro de grito
Onde nada é morno,
Tudo é extremado...
Um vício? Um cargo?
Um erro? Uma síndrome?
Apenas algo nos olhos,
Que se desfazem em cinza!
olho... Sinto-me!
Mas além, nada mais que olhos,
Embebidos em veias,
Aguados; Sem vida;
Sem matemática; Sem teias;
(Não acorda nem dorme)
Sem arte; Sem ida;
Só um vazio enorme!
11/1/10

Afirmação da negação...

Sim!
Posso dizer!
Voltei a sentir-me assim,
Com inspiração,
E um pouco de mim,
E de passos com razão.
Voltei a ter,
Um sorriso sem fim
Passeando pelos corredores
E mostrando ao anoitecer
E a todos os rumores,
Do pôr do sol e da lua,
Porque antes de crescer;
Depois e antes de dores;
E na tua alma nua,
Havia o sorriso a nascer.
Tudo no seu rebelde cachimbo
Onde pousava o tesouro
Das mãos que carrega
E com cuidado carimbo
O peso do teu ouro
Na bagagem sem rega
Onde tresanda
O cheiro...
E não pára nem anda,
Essa faísca de esqueiro.


Janeiro/2010