Fui para Odc,
Cidade de odivelas,
Manos de cabeça baixa
Um povo que tudo vê...
Espreita aquelas,
Onde se encaixa?
Em nenhum lado
Longe da pobreza
Por isso têm o peito inchado...
Putos são roubados
Abandonados na vida.
Olhares vazios vivem,
Nestes muros pintados...
OHohh... Sai daqui vida madrasta...
Quero ser livre!
Neste passo que se arrasta,
Quero voar e viver,
Sem a voz que desgasta
este cérebro a crescer
Este coração a sofrer
Numa vida madrasta.
Até o peito inchado
Esconde a asa quebrada
Um olhar iluminado
Pelo pesado rimel
Está ferido pela espada
Que troca o carrossel
Anda em contra-volta
Escuta o pincel
E sente a revolta.
Todos temos problemas
Todos respiramos a custo
Comemos dilemas
Perdemos o gosto,
A confiança,
de escrever poemas
com um rosto de liderança...
Como escrever bem
se só vemos ganância,
Suor e desgosto?
Vou escrever da aliança...
Juntos voltamos
A ter cor e pintar
Um voo onde embarcamos
A preencher as ruas
A encher as almas nuas
De nós que rebentamos
E são agora telas
De boas paragens
Que pintamos
E é onde te revelas...
Todos temos um olhar vazio
Todos temos sombrias casas
Todos temos frio
Todos temos asas
Para esconder paredes
E voar outras ruas
Sem correntes e redes...
Juntos passamos pelos anos
Sem dar conta,
Dos erros,
Das quedas e enganos...
Rebentas os nós, as cordas...
Na paragem, a espera.
Acordas...
É com fome que engordas,
Juntos, a aliança supera.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
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