sexta-feira, 20 de novembro de 2009

"Guerreiros em campo"

As rugas de uma mão são muitas, por menos visiveis que sejam são muitas. A pele das mãos é constituída por várias linhas, cruzadas, paralelas, descoordenadas, estejam lá como estiverem constituem a pele da mesma mão e trabalham em conjunto na mesma mão. É a pele dessas mãos que nos dá a possibilidade de livremente por em prática as nossas acções.

Todos os dias actuamos, será que o fazemos de acordo com aquilo que somos? Será que as nossas mãos, o nosso corpo, realizam acções que acordo a si próprios?

Todos acordam, todos os dias e caminham para todos os lugares que são parte de um percurso para alcançar os seus sonhos, nem que sejam sonhos simples como sair à noite com os amigos ou ir à praia.

Vamos à escola para ser alguém no futuro; vamos trabalhar para darmos a nós próprios e à nossa família uma boa qualidade de vida; não estudamos porque não gostamos de estudar; não trabalhamos, bebemos, drogamo-nos e sabe-se lá mais o quê... porque já não sabemos viver de outra maneira; escrevemos porque gostamos, dançamos porque... OLHEM! JÁ CHEGA!

Isto para mim não são acções que estão de acordo com aquilo que somos... Quais sonhos? Quais rumos? Quais objectivos? Nós vivemos a correr contra os relógios, sempre a ver quem chega primeiro, só para mostrar que somos pontuais, ou que vamos onde supostamente queremos, só para mostrar que somos alguém, só para mostrar que fazemos alguma coisa.

Tudo uma grande mentira! Até as famílias entram num mecanismo tal da sociedade e de nós próprios que só as construimos para nos sentirmos menos vazios.

E ainda dizemos que temos sonhos. ( o sonho somos nós e a vida, e já existe e está na fase de ser apenas disfrutado. O resto é mera tralha humanamente estúpida, macanizada, fútil, rotineira...ou...sei lá... qualquer coisa mais!

Ainda por cima pegamos nos supostos sonhos e lutamos por eles, todos os dias, toda uma vida... Assim passamos a vida a dar um passo sempre para chegar a outro, e nunca chegamos, só chegamos um dia à morte, e vivemos para morrer...

Mas isto não tem que ser assim, nós é que nos esquecemos de ser criativos, naturais, espontâneos, viver o segundo... Passamos a vida a competir com toda a gente, até com os nossos amigos porque esses são mais parecidos connosco, logo é com quem competimos mais.

Porque é que mesmo batalhando pela mesma causa, dentro do mesmo grupo, nunca competimos uns com os outros, porque temos de ser os melhores? vivemos a competir uns contra os outros, tudo para nos sentirmos um pouco menos vazios.

Isto não é viver! A vida é paz, não é guerra e eu sou totalmente contra a guerra. Para quê guerrear se podemos falar?

Nós, nas nossas ruas e casas somos nada mais, nada menos que "guerreiros em campo". Não! Mentira, nem isso somos. Os guerreiros em campo conseguem combater em conjunto com os guerreiros do seu grupo, nós competimos mais ainda com os do nosso grupo. Somos burros! É a única coisa que somos, muito burros, e andamos aí todos com a mania que somos intelectuais e inteligentes, temos é muita palha na cabeça...

Eu detesto relógios, mas já que passam o dia a olhar para eles aprendam um pouco com eles. Imaginem que são relógios, relógios todos juntos e todos a competirem uns com os outros a ver qual tem os ponteiros mais rápidos, mais fortes ou qual é o mais bonito. uns cansam-se demais e partem, outros desanimam e param, uns são lentos demais, outros são demasiado feios para que alguém olhe para eles, outros são demasiado bonitos e esquecem-se de ser rápidos, outros perdem-se no tempo, outros são demasiado perfeitos e ficam sozinhos...

Mas os relógios obdecem a um mecanismo muito próprio e andam todos ao mesmo ritmo. Nós somos livres de andar ao ritmo que queremos e mesmo assim somos mais burros que os relógios que cumprem a sua tarefa, marcar o tempo ao mesmo ritmo de todos os outros.

A única coisa que nós precisavamos de cumprir era não atropelar os outros...

Somos uns burros que não sabem disfrutar da liberdade...

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