sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Contra relógio acertado no desconcerto...



É tão irritante
Este emaranhado de linhas
Tão confusas e distintas
Que se torna fascinante
A união que fazem…
Num cachecol aconchegante
Tão bem borrado de tintas
E por vezes sufocante…

Até as ondas do meu cabelo
Nos trazem o nosso verão…
Onde dentro de um enorme novelo
Sorriamos sempre ao que era sentido
Naquela nossa estação…
Nossa! E inquebrável…
Que nos enchia de sentido…

E hoje tudo volta a acontecer…
No meio da rua,
Onde peões balançam sem parar…
Tudo parece acalmar para te ver…
Tem as asas de uma cacatua,
Mas também a força de voar
E não ficar no meio do tempo
Para que possa permanecer tua
Ao som do meu riso mais forte
Arrancado pela tua voz
O teu olhar…. Nenhuma dose de sorte…
Nenhum gesto que fique sós
Nenhum acaso…
Nenhuma coincidência….
E demasiado sentido….
Demasiada vivência…

Deixei passar ao meu lado…
Mas não consegui evitar,
Desenhos, filmes e cores…
Deixei o amor calado…
Não agarrei o abraço
Que é meu… Era hoje…
Tão seguro e embasbacado
Onde não preciso de um braço
Se o coração não foge
Foge… Mas permanece ligado…

E saio com o lema
Batendo irritantemente a cabeça…
Toda a alegria… Toda a investida…
É agora dilema….
De soltar toda a palavra contida…

Olho todos os botões…
Continuam a sorrir…
Suspensos livremente… Sem razões…
Dançando na minha pulseira
E penso que bom esquecer os quadros
Pintados ao longo dos padrões
De uma vida inteira…
E pensar apenas no sorriso….
Na calma verdadeira…
E gritar a união que interessa…
Esquecer que alguém espera que se lute…
Esquecer…
As pedras do porto, gaia ou Leça…
E gritar….
AMO-TE!

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